A semana de 34 horas: uma visão de eficiência

Não estou dizendo que vamos trabalhar 34 horas para sermos eficientes. Estou afirmando que trabalhando diariamente como fazemos, 6 horas são desperdiçadas com itens essenciais como as idas ao toalete, o cafezinho ou papo com os colegas.

Em um ano, são cerca de 280 horas não utilizadas e para compensar isto, gastamos mais com horas extras ou com a pressão nos colaboradores para ‘fazer mais com menos’.

Para piorar o cenário, das 34 horas que estamos realmente trabalhando em alguma coisa, esta atividade não tem, essencialmente, uma relação específica com as necessidades da empresa, ou seja, não basta estar trabalhando.

É possível observar que há de tudo um pouco: atividades redundantes, burocracias demasiadas, retrabalhos ou trabalho simplesmente desperdiçado. Exemplos:

  1. É o comercial, sem anuência da diretoria, pressionando a operação por algo que o cliente não pagou.
  2. É a operação pedindo para a área de TI criar sistemas, mas que não são usados.
  3. É um analista sênior fazendo atividades das quais um júnior daria conta.
  4. É um funcionário fazendo relatórios e imprimindo quadros que nunca serão lidos.

No fundo, todas estas perdas são colocadas no ‘overhead’ ou ‘custos administrativos’ e repassadas ao cliente. O fato que é não são custos, são perdas. Comparando o Brasil com nosso quase vizinho Chile, eles produzem o dobro que nós com o mesmo volume de horas trabalhadas.

Em um momento econômico como o que estamos, fazer o cliente pagar a conta da nossa ineficiência não é uma boa saída, pois a concorrência nunca para. Como lição de casa, ao invés de perguntar aos gestores quais funcionários poderiam ser cortados, pergunte aos colaboradores, preferencialmente de forma direta, quais as atividades que poderiam ser simplesmente eliminadas.

Procure saber do seu gestor de TI, por exemplo, que demandas ele recebe de quais departamentos e cobre pela utilização dos itens que são produzidos ou comprados. Isto até me remete ao caso de uma rede de televisão que fez um quadro de um empresário que se passou por um funcionário e descobriu que o sistema que ele pagou milhões, simplesmente não estava em uso. Você não precisa aparecer em rede nacional para visitar a operação, conversar e receber ideias sobre itens desnecessários. Vá em frente!

Matéria originalmente publicada no Portal Santander:
https://www.santandernegocioseempresas.com.br/detalhe-noticia/a-semana-de-34-horas-uma-visao-de-eficiencia.html