Metas versus trabalho colaborativo

Sim, na maioria das empresas as metas possuem um caráter mais individualista e raramente premia o trabalho do time como um todo, tornando meta e trabalho em equipe antagônicos.

Este tema me veio enquanto eu estava jogando Battlefield (um jogo de guerra). O nosso time tinha alguns jogadores excepcionais, melhores até que o time adversário, e mesmo assim estávamos perdendo.

Neste jogo, assim como nas empresas, o diferencial é o trabalho coletivo e não pela diferença e o esforço dos indivíduos.

O problema não é a pessoa ser excepcional, o problema é ela focar exclusivamente sobre suas (mal definidas) metas individuais.

No jogo, cada um era medido pela quantidade de inimigos que eliminava e também em pontos quando ajudava o time, só que alguns jogadores estavam jogando apenas pela primeira métrica, mas o jogo era vencido pelo time com maior pontuação.

Na empresa é aquele vendedor que vende um produto que ainda não foi produzido ao invés de oferecer o que está no estoque. É a área de compras que atinge a meta de desconto, mesmo sabendo que o fornecedor não possui a qualidade necessária para entregar o serviço.

Todas estas ações são feitas por dois motivadores principais, o ego, a qual não temos muito como interferir, e as métricas da empresa que empurram muitas das ações dos colaboradores a eventos que possam trazer impactos negativos na empresa.

Para evitar isso, as métricas individuais devem ser compostas por indicadores que reforçam a contrapartida, seja para o time ou seja para os outros departamentos da empresa.

Vejam alguns exemplos:

Vendas – Itens vendidos

Contrapartidas:

  • Volume de descontos concedidos – Deve-se controlar não só o percentual de descontos, mas com qual frequência é aplicado.
  • Itens customizados – O vendedor consegue vender o que a produção executa ou é necessário que o item tenha “a cara” do cliente, custando mais para a operação?
  • Mix de produtos – Garantindo a venda de outros itens e não apenas o carro-chefe, com a venda garantida.

Operação – Itens produzidos

Contrapartidas:

  • Horas extras realizadas – O volume de produção não pode ser feito com o uso adicional de horas trabalhadas.
  • Número de funcionários – O indicador deve ser proporcional ao número de funcionários trabalhando.
  • Limite de máquinas respeitados – A velocidade de produção não pode exceder os indicadores dos fabricantes sob a pena de aumento de custo de manutenção preventiva e corretiva.

Operação – Rentabilidade

Contrapartidas:

  • Férias – Os períodos de férias devem ser respeitados e não podem ser transferidos para outros períodos (ganha num período com o aumento de mão de obra e perde em outro).
  • Manutenções preventivas – Devem seguir as recomendações dos fabricantes sob pena de redução da vida útil do equipamento.
  • Qualidade mantida – A qualidade do produto final deve ser mantida. Se não tiver especificações claras sobre as medidas do produto final, uma métrica de rentabilidade poderá ocasionar problemas sérios junto aos clientes.

Marketing – Ampliação de mercado

Contrapartidas:

  • Rentabilidade – A métrica não pode ser apenas tamanho do mercado conquistado e sim garantir liquidez.
  • Mix de produtos – Deve-se pensar na empresa como um todo e não apenas um único item, salvo quando necessário.
  • Canibalização – Não se pode lançar um produto que amplie o mercado mas concorra com outros produtos da empresa.

Cada empresa tem sua necessidade, sua vertical ou particularidade, mas espero que eu tenha passado a ideia de como poder medir o time de forma que ele trabalhe para a empresa e não apenas para o seu setor.

Matéria originalmente publicada no portal Santander: https://www.santandernegocioseempresas.com.br/detalhe-noticia/metas-versus-trabalho-colaborativo.html